terça-feira, 9 de novembro de 2010

O Fim

Era inevitável, segurava o papel com a sentença do já esperado momento.

Não sabia onde olhar, o que pensar...seu rosto sentia o suor frio de sua mão aflita.

Lagrimas não brotavam, elas se afogaram na amargura estomacal que pulsava com um frio estonteante. Procurava olhares alheios...ela tinha os olhos vermelhos e rosto encharcado, ele atônito e duro como o mármore, o outro fugia de seu olhar como quem foge desesperadamente da gigantesca criatura negra de proporções aniquiladoras.

Sua mão tremia junto com seus pensamentos, eles percorriam o passado, e cada momento bom foi findado numa felicidade penosa e passageira.

Compreendeu que seus instantes do passado eram e foram sonhos...quis correr, gritar, abraçar a todos...tudo se resumia em uma dentada desesperada em seus lábios...como se mordesse sua existência com todas as forças que sua vontade reunia.

Olhou para cima, e abaixou novamente a cabeça, uma lagrima tingiu de transparente o papel que confirmava com ciência a finitude que fora sempre ignorada pelo inebriante sabor dos sentidos, dos caminhos percorridos.

Era o fim...e era para sempre.

3 comentários:

Sergio , do Litoral disse...

Interessante essa demonstração do destino inexorável do eu-lírico... não há escapatória, não existe uma segunda chance, existe apenas o fim, o ponto final, o término, e nada além.

Belo poema, ainda que niilista e (eloquentemente) desesperançoso.

Pedrotti disse...

Não consigo enxergar niilismo nesse belo prosaico, O Fim, para mim, não é esperança ou desesperança, é o fim, a causa última que escapa à interpretação, pois não se define por si, deixa à reticências.
O niilismo não é mais nada que um conceito em forma de máscara de uma manifestação coletiva pútrida de nossos desesperos e solidões.
O que chamam de niilismo e o acusam por ser uma pessimista visão da realidade, é um álibi da nossa falta de álibis.

Cavalhera disse...

Ótima análise estética Pedrotti ;D