sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Descompasso

Maqueie-se, minha querida
pinte seus lábios frios de carmin
mascare seu rosto pálido de rouge
e entupa os poros de sua pele
com pó das cinza que restaram.

Vista seu melhor vestido longo
seu traje de gala, roto e gasto
o vestido negro de todo velório.
Use suas melhores jóias, falsas.

Venha me levar, deste louco baile
de pernas tortas em descompasso
em saltos altos, a desvarios e desiluões.
Te conduzo a esta ultima contra-dança
Valsa de violinos vorazes, desfinados

De três em três compassos
a existência segue seu fardo.
infância, juventude, velhice
se esvai a vida em cada passo.


Franco Saldaña.

8 comentários:

Aureliano E.B. disse...

"Te conduzo a esta ultima contra-dança
Valsa de violinos vorazes, desfinados

De três em três compassos
a existência segue seu fardo.
infância, juventude, velhice
se esvai a vida em cada passo."
a vida, uma valsa. Gostei o/

Cavalhera disse...

caaaara, eo fiz um poema háá muito tempo atrás parecido com este =D

Cacciolari disse...

maaano, eu gostava muito de um poema que vc fez nos nossos rolês das antiga
só lembro vagamente de num trecho deleç que falava de corvos (ou ratos) com fraques, ou algo assim
onde foi parar essa preciosidade hein?

Pedrotti disse...

nós perdemos muitas preciosidades.

Cavalhera disse...

vou procurar aqui, entre as coisas...
tenho uma porrada de páginas escritas aqui o.O

posto qndo achar =D

Cavalhera disse...

acho que foi perdido mesmo >.<
mas eo lembro vagos versos

"O coelho de lapela não para
o corvo de gravata se enquadra"

o.O

Pedrotti disse...

nós perdemos um também muito bom
aquele da lua de concreto

eu lembro um pouquinho

Antes o mundo era perfeito (...)
e as pessoas se cansaram do perfeito,
e pularam no mundo do Caos
(...)

era maravilhoso >.<

Cacciolari disse...

esse da lua de concreto não cheguei a conhecer
mas só pela sinestesia do nome,
ja imagino que deve ser fantástico

esse aqui que eu postei, o Descompasso
tb era antigo, achei num caderno meu do 1° ano de faculdade.

é foda essas preciosidades que a gente perde
o jeito mesmo e criar novos, e melhores