segunda-feira, 10 de setembro de 2012
Nikola, sua fogueira.
No meio de vários nomes, nos créditos de um desses filmes que se vê nas madrugadas insones, eu vi esse nome: Nikola.
Em uma lufada de vento me veio a lembrança de um jardim de infância em uma chácara, meu pátio de tantas aventuras, velejando em cima de árvores os sete mares dos céus e quebrando ondas de nuvens. Memória dessa escola, onde fui educado livre, colhendo frutas de um pomar para o recreio, fazendo pão integral com minhas pequenas mãos ainda fracas, mas cobertas por mãos carinhosas, que modelaram em minha massa muito do que sou.
Muito do melhor que descobri em min foi graças à você. Nikola: o sorriso mais gentil em um rosto coberto de barba. O homem que me ensinou ser o que sou, com sua paciência e dedicação. Além de um professor, um dos pais com que essa vida me presenteou.
Na noite ainda consigo sentir ainda o calor da fogueira, e nós crianças em volta dela. O velho conto que que você sempre nos contava, Nikola, aquele da menina da lanterna. E de papel você fez para cada um de nós uma lanterna, que ilumina nossos os caminhos como fadas, ensinando que não devemos ter medo de trilhar nossos caminhos, na escuridão desse céu noturno.
Nikola, hoje eu já adulto, não sei mais se tua chama, fogueira que acendeu a lanterna de tantas crianças, ainda queima. Mas eu tenho certeza que as lanternas que você acendeu ainda estão acesas, no peito de cada uma daquelas crianças que você educou.
Amigos de tão longa data, os mais sinceros e fiéis que já tive um dia. As correntezas e ventos do destino separaram nossos caminhos. Mas eu sei, que vocês ainda carregam aquela chama da lanterna consigo. Espero ainda poder ver o brilho da chama de cada um de vocês em forma de estrelas, onde vocês estiverem na imensidão desse céu, que ainda guarda nossas aventuras.
Fernando Cacciolari Menezes.
domingo, 3 de junho de 2012
O Tédio e o Estranho
terça-feira, 12 de julho de 2011
Dia após dia.
segunda-feira, 23 de maio de 2011
Apenas um belo lar. (Prelúdio de uma vida exemplar)
quinta-feira, 19 de maio de 2011
Hemorragia Existencial
estilhaços de vidro pelo chão.
Adentra a noite negra em corvo,
que pacientemente espreita o ato.
O espelho revela um rosto disforme
não reconheço mais um humano
nestas rugas que me cobrem
Me faço um estranho,
para min mesmo
Olá, prazer em conhecê-lo
me chamo ninguém.
Em fragmentos se desfaz o espelho
reflexo de uma imagem hedônea falsa.
Memórias em cacos pelo assoalho.
Descasco minha pele aos poucos,
corvo que destroça a carcaça,
detritos de minha crosta pelo chão
O sangue me cobre a face
e me vejo vermelho, crú
Me enxergo como sou, nú
carne pulsante, podre e mortal.
sexta-feira, 1 de abril de 2011
Multi Dantes
Mundolandia
segunda-feira, 7 de março de 2011
Ana Anfetamina
Silêncio contínuo, o vento não mais trespassava as frestas de sua janela, calando o mensageiro, uma terceira tentativa, agora movimenta seu braço direito bruscamente encostando sucessivas vezes sua mão na parede na tentativa de encontrar o interruptor, sem sucesso, seus membros estão anestesiados por demasia, volta a se encolher no centro da cama, com seus pensamentos alvoroçados que a envolvem como em um manto, cai no sono.
Esta numa sala de aula, as paredes se tornam maiores cada vez mais, parecem intimida-la, o barulho de passos e as conversas nos corredores são como bombas caindo em seus ouvidos, o pouco que se encontrava escrito no quadro negro está sem nexo, borrões em branco e algumas letras misturadas, ao seu redor estão colegas de diferentes períodos de sua vida, todos com olhares direcionados a Ana e sorrisos armados de comentários ácidos, os dentes aumentando com a mesma velocidade das paredes inundam seu corpo de saliva... suor, acorda transpirando em bicas e com o coração acelerado, demora alguns segundo até conseguir unir todas as lembranças de seu pesadelo e a primeira coisa que lhe vem a mente é que nunca foi tão bom estar acordada, se levanta da cama ainda meio atordoada, não tem ao mínimo "flashs" da noite passada, apenas um apagão entre a última dose da primeira garrafa de vodka e a terceira carreira de cocaína. Caminha até o banheiro, esquivando-se dos objetos espalhados por todo o seu quarto, prende seu cabelo em frente ao espelho e nota o sangue coagulado entre o nariz e seus lábios, abre o registro de seu chuveiro e sai por alguns instantes do seu banheiro, o suficiente para ligar seu aparelho de som, apertar um baseado e encontrar uma garrafa de vodka pela metade.
O baseado está pela metade e ainda não entrou debaixo do chuveiro, está apenas à contemplar a água cair e a fumaça se confundindo com o vapor, a garrafa de vodka já está em um quarto e por um momento lhe passou a idéia idiota pela mente de que comprar anti-séptico bucal era perca de tempo se o álcool possuía o mesmo efeito, é incrível como a música tinha a capacidade de lhe fazer sentir melhor, lhe fazer sentir viva, sempre sentia que as notas poderiam entrar em seu corpo, possuir seu sistema nervoso ou até mesmo eleva-la a transcendência. Seu banho mal estava pela metade e a unica coisa que lhe passava pela cabeça era "qual vai ser o programa, hein?", afinal de contas seu quarto já estava alaranjado e isto queria dizer que mais algumas horas e a melhor parte da vida iria começar, a vida noturna, se enxuga lentamente, acende um cigarro e se dá conta de que seu suprimento de álcool tinha acabado, se troca rapidamente e pega uma quantia de dinheiro na sua carteira e desce as escadas pensando "hoje será uma noite regada a álcool e benflogins".
Samuel Bradinsky
quinta-feira, 3 de março de 2011
Desaguadouro

Em filetes a água escorre por meu corpo em sua suave dança. Alongo meu braço, tento alcançá-la. Ela escorre por meus dedos, fugas em sua fluidez. Foge-me das mãos, como você, como o tempo indomável, como a vida que se esvai por min.
A água escoa para dentro do ralo, pelas entranhas escuras dos encanamentos. Escoa para dentro de meus poros, do profundo de meu ser.
Invade-me com a força da correnteza de um rio. Pulsa com intensidade da torrente da rotina em minha corrente sanguínea. Transborda em min como a chuva, me imunda com a fonte de viver.
Por esse rio de minhas veias escoa a vida em seu passar. Arrasta para a margem de minha pele todas as vivências, experiências, folhas que flutuam, pedras que rolam, dores e alegrias.
Esse rio passa com a rapidez do tempo, cavando rugas sobre o terreno arenoso de minha face. Por esses sulcos escorrem todas as lágrimas das tristezas já passadas, o suor de todo o esforço, árduo e seco da minha tez.
Passam por mim as águas. Passa por mim a vida. Esvai-se na fluidez de um riacho, hoje já sereno.
Escorre por meu corpo o ultimo filete de água, e me tira para a última dança.
Franco Saldaña.
